Se você tem alguma dúvida sobre a saúde do seu animal
PERGUNTE AO
VETERINÁRIO

vet@kennelclub.com.br

Displasia Coxofemoral
Prof. Dra. Lucy Marie Ribeiro Muniz

A displasia coxofemoral (DCF) é uma alteração que pode ocorrer em todas as espécies animais, mas ela é mais conhecida e estudada na canina, na qual aparece com maior freqüência. Ela provoca alterações na forma normal da articulação coxofemoral, levando o animal a apresentar desde dor até total incapacidade de locomoção.

Nos cães existem várias hipóteses para o aparecimento desta doença, dentre elas já estão comprovadas que existe um fator genético importante, ambiental e de manejo.

Quando se fala no fator genético, sabe-se que existem vários genes envolvidos no aparecimento da DCF, por isso dependendo do número de genes que os cães tenham, eles podem apresentar graus variáveis de alterações coxofemorais. Como existe esse componente genético, é importante saber-se se os pais tem DCF quando do acasalamento, pois quanto mais perfeitos forem os pais, menor a possibilidade de nascerem filhotes displásicos. Porém, deve ser lembrado que mesmo filhotes de pais normais podem apresentar DCF, e neste caso os genes responsáveis devem ter vindo dos antepassados.

Outro fator que pode interagir com o genético para o aparecimento ou grau de gravidade da DCF é o ambiental, por isso é recomendável que os cães vivam em ambiente com piso áspero, tipo cimento, grama ou terra, devendo-se evitar ao máximo os pisos lisos, como cerâmicas e lajotas. Estes tipos de piso podem ajudar no agravamento dos sintomas ou do grau da DCF.

Deve-se, além disso, evitar que os animais tenham excesso de peso, já que a obesidade pode propiciar o aparecimento ou agravamento dos sinais de DCF, também em interação com a genética do animal.

A DCF é uma moléstia que ocorre principalmente em cães jovens, de raças grandes ou gigantes ( Pastor Alemão, Rottweiler, Dog Alemão, São Bernardo, Mastim Napolitano, entre outras), de crescimento rápido e é bilateral. O fato de aparecer em ambas articulações não quer dizer que as duas apresentem o mesmo grau de alterações, podendo uma delas apresentar um grau bem mais severo que a outra.

O diagnóstico de DCF é feito pelo exame radiológico das articulações em questão. Este exame deve ser feito com o animal submetido à sedação profunda, ou preferencialmente, anestesiado. O cão deve ter pelo menos 18 meses de idade e, se for uma fêmea, não deve estar no cio. Estes fatores, se não observados, podem levar a diagnósticos errôneos quanto ao grau de displasia. Atualmente na Alemanha e Estados Unidos exige-se que este exame seja feito apenas em animais com mais de 24 meses de idade, com o intuito de se obter maior precisão no diagnóstico e classificação da DCF.

O radiologista veterinário, analisando a radiografia do animal, determinará a inexistência de alterações ou classificará a DCF em graus, quando ela existir.

O Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária classifica a DCF em 5 graus, a saber:
A- sem sinais de displasia coxofemoral
B- articulações coxofemorais próximas do normal
C- displasia coxofemoral leve
D- displasia coxofemoral moderada
E- displasia coxofemoral severa

Esta classificação é importante, pois os reprodutores machos devem apresentar no máximo o grau B e as fêmeas o grau C. Já os animais que forem classificados como D e E (fêmeas) e C, D e E (machos) devem ser descartados da reprodução ou, preferencialmente, castrados. Estas recomendações são primordiais para se tentar diminuir o aparecimento de DCF em cães.

Quando se trata de animais destinados à reprodução para fins comerciais, o proprietário deve sempre submetê-los ao exame radiográfico para se determinar a existência ou não de DCF, e os prováveis compradores dos filhotes devem exigir este exame dos pais na ocasião da compra.

Deve-se ainda atentar para o fato que o grau de DCF apresentado pelo cão não é diretamente proporcional aos sintomas apresentados, isto quer dizer que, mesmo animais com displasia severa podem não apresentar nenhum sinal clínico, sendo o inverso também verdadeiro, ou seja, um animal com grau muito leve pode mostrar sintomas clínicos bastante evidentes. Este fato reforça a necessidade da realização do exame radiográfico.

Existem vários métodos de tratamento desta doença, mas deve ser salientado que todos eles apenas aliviam o animal dos sintomas apresentados, nenhum tratamento "cura" a DCF, já que ela é uma alteração genética, e só o seu veterinário poderá indicar qual o melhor tratamento a ser usado no seu animal.