Se você tem alguma dúvida sobre a saúde do seu animal
PERGUNTE AO
VETERINÁRIO

vet@kennelclub.com.br
ERLIQUIOSE CANINA
Koala Hospital Animal

A Erliquiose refere-se à variedade de síndromes clínicas em cães e canídeos silvestres causada pela infecção por Erliquia canis ou Erliquia equi, transmitidas pelo carrapato vermelho Rhipicephalus sanguineus. É comum o seu aparecimento em cães na primavera e verão, quando os carrapatos estão ativos.

A transmissão ocorre quando um carrapato infectado ingere sangue, e suas secreções salivares contendo microrganismos contaminam o local da picada. O período de incubação para a fase aguda da erliquiose é de 8 a 20 dias. A E. canis penetra na corrente sangüínea ou rede linfática e localiza-se em células do fígado, baço e linfonodos. A erliquiose canina ocorre em cães que não conseguem construir uma efetiva resposta imune ao microrganismo.

Os sintomas clínicos durante esta fase são geralmente brandos consistindo de febre inespecífica, que pode variar de alta a baixa. Outros sintomas incluem perda de apetite, linfonodos aumentados, corrimento oculonasal, dificuldade respiratória e anemia.

A maioria deles se recupera após 1 ou 2 semanas sem tratamento, embora permaneçam persistentemente infectados, sendo observadas alterações ao hemograma. São comuns as infecções inaparentes.

Em seguida à fase aguda, ocorre a fase sub-clínica, que geralmente ocorre de 6 a 9 semanas após a infecção inicial, e perdura por 1 a 4 meses. Nesta fase, o cães podem eliminar a E. canis. Caso isto não ocorra, progridem para a fase crônica da moléstia.

A condição crônica é caracterizada por supressão da medula óssea, acompanhada de anemia. Há persistência das alterações hematológicas. O cão pode apresentar perda de peso crônica, perda de apetite, mucosas pálidas devido à anemia, fraqueza, depressão, respiração rápida, dano hepático, além de aumento do baço.
Hemorragias nas mucosas, retina e pele do abdômen são manifestações comuns de uma grave erliquiose crônica. O sangramento poderá ocorrer em qualquer mucosa tais como, nasal, ocular, intestinal e urinária. Alguns cães apresentam pneumonia intersticial, insuficiência renal, distúrbios de reprodução, artrite e meningoencefalite.

O diagnóstico pode ser firmado em exames laboratoriais como o hemograma e testes sorológicos para o anticorpo anti-E.canis.

Antibióticos são usados para o tratamento, especialmente as tetraciclinas que são muito efetivas no tratamento da fase aguda da doença, ocorrendo a melhora no estado clínico frequentemente dentro de 24 a 48 horas após o início da terapia. A resposta é menos favorável em cães com erliquiose crônica. A administração de soro e transfusões sangüíneas podem ser necessárias em cães com erliquiose crônica grave. Podem também ser usados corticóides, antiinflamatórios e imunossupressores.

O prognóstico é bom, desde que seja efetuado o tratamento precocemente. É reservado a mau nos casos avançados com supressão da medula óssea. Como prevenção, é necessário realizar o controle dos carrapatos.